50 anos da presença de Jânio Quadros em Corumbá

Por esses dias, estão se assinalando 50 anos sobre o isolamento forçado do ex-presidente Jânio Quadros em Corumbá, por determinação e castigo do governo militar da época. Jânio havia ignorado a proibição de fazer ‘pronunciamentos políticos’ e enfrentava o ‘confinamento’, que seria cumprido nessa remota cidade de fronteira, onde se acreditava que ele poderia refletir sobre a sensatez de estar desobedecendo às ordens das autoridades.

Entretanto, jornalistas estavam lá, no dia 30 de julho de 1968, pelas 11h30, para acompanhar a chegada do ex-presidente, mas as autoridades policiais impediram o contato. Ele ficou depois hospedado no Hotel Santa Mônica e, segundo o jornal Correio de Corumbá que assinalou o fato, ele teria transformado seu tempo na cidade em um período de férias, participando em festas e sendo recebido pela sociedade corumbaense como a personalidade importante que foi.

Um percurso singular

Jânio Quadros ocupa um lugar especial na história brasileira pelo seu comportamento excêntrico. É tão famoso que muitos nem sabem que ele foi presidente apenas por 8 meses, em 1961; ficou célebre sua utilização da vassoura como símbolo pessoal, de quem queria varrer a corrupção. 25 anos depois de ser presidente, ele iniciou um mandato de 3 anos como prefeito de S. Paulo.

Corumbá como lugar de confinamento

A decisão de colocar Jânio em Corumbá acabou por ser uma cedência ‘simpática’ das autoridades, que colocaram o ex-presidente em sua terra e cultura natal. Segundo se diz, ele até ficou próximo de seu local nascimento; alguns historiadores, de acordo com o Correio de Corumbá, apontam que ele teria nascido em Miranda e só seu registro foi feito na capital, Campo Grande.

A sensação de isolamento e distância é a mesma que leva hoje os corumbaenses a exigir melhores ligações de transporte até S. Paulo – e a mesma também que traz os turistas em busca férias em meio à natureza, longe da cidade.